quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Essa é a essência


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"O objetivo aqui não é transformar todos em cientistas. Que mundo chato seria esse. Nós queremos artistas, músicos, romancistas, poetas. Queremos tudo isso. O q...ue importa é que estejam alfabetizados cientificamente e que mantenham essa alfabetização e essa curiosidade ao longo da vida. As pessoas acham que alfabetização científica é ser capaz de recitar fatos. E não é isso. É parte disso, mas não é a parte principal. A parte principal é: como você olha para o mundo? Como é o mundo através de seus olhos? Se você é alfabetizado cientificamente, enxerga o mundo de forma diferente. E essa compreensão lhe dá poder."
— Neil deGrasse Tyson.
Créditos: http://goo.gl/4m3JHK
Legendado por Leandro Ricardo.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Não acredita em teoria da evolução e Big Bang? O papa tem um recado para você

 

Papa Francisco saúda a multidão ao chegar à Praça de São Pedro, no Vaticano, em 22 de outubro de 2014Papa Francisco saúda a multidão ao chegar à Praça de São Pedro, no Vaticano, em 22 de outubro de 2014

Discussão antiga entre religiosos e estudiosos, a origem humana foi temática abordada pelo papa Francisco. E o pontífice surpreendeu ao afirmar que o Big Bang e a teoria da evolução não só existem como são essenciais para entender Deus.

"Quando lemos sobre a Criação no Gênesis, corremos o risco de imaginar que Deus é um mágico e que tem dons mágicos para fazer qualquer coisa, mas isso não é assim. O Big Bang não contradiz a intervenção criadora, mas a exige", afirmou o papa.

O pontífice ainda afirmou que a criação do mundo "não é obra do caos, mas sim um derivado de um princípio supremo que cria por amor". Para Francisco, o trabalho de Deus deu ao homem a liberdade e, com ela, a teoria da evolução se desenvolve. Para ele, essa mistura dos conceitos é essencial para o futuro da humanidade.

"Ao cientista, portanto, sobretudo ao cientista cristão, corresponde a atitude de interrogar-se sobre o futuro da humanidade e da Terra; de construir um mundo humano para todas as pessoas e não para um grupo ou uma classe de privilegiados", concluiu ele.

 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Projeto transforma casas de baixa renda em galerias de arte na Cidade do Cabo

 
A Cidade do Cabo é a segunda maior na África do Sul, sendo apontada como maior destino turístico do país. Importante pólo comercial e industrial, desenvolve-se rapidamente por conta de suas riquezas naturais e não só (como no caso do petróleo), além de ser explorada nos setores têxtil, químico e alimentício.
Como toda grande metrópole, a cidade carrega um grande problema aliado ao seu crescimento econômico: a desigualdade social, que persistiu mesmo após a Copa do Mundo de 2010. Para combater, em partes, o problema, o projeto Maboneng – Township Arts Experience está há 10 anos transformando casas populares em galerias de arte.
A ideia, criada em “Townships” – favelas que nos tempos do Apartheid eram destinadas aos não-brancos – surgiu quando a idealizadora do projeto Alexandra Township conheceu a artista nativa Siphiwe Ngwenya, que notou a falta de consciência artística em seu bairro, vista como algo proveniente “de fora”, distante da realidade da população. Após dar o primeiro passo e começar a expor suas obras, Siphiwe envolveu artistas locais e incentivou crianças a explorarem esse lado.
Com as mentes aflorando o dom artístico, surgiu o programa nacional que hospeda festivais anuais de arte municipais e inclui várias rotas de arte permanentes, atraindo inúmeros visitantes. Famílias e proprietários de imóveis trabalham em conjunto com o projeto para criar um ambiente acolhedor e intimista nestes lugares. Já foram transformadas mais de 70 casas em galerias, exibindo mais de 50 artistas e incentivando os moradores a investir na arte.
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Trabalhamos humildemente com proprietários de casas e famílias para criar um ambiente acolhedor artístico e íntimo em nossas cidades, dizem os responsáveis. O objetivo é transformar estas townships em grandes cidades por meio das artes, até 2030, promovendo a cultura, o conhecimento, a participação popular e expandido o conhecimento das comunidades envolvidas.
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Todas as fotos © Maboneng e Nkululelo Marais
*Este post é um oferecimento da Heineken open your world.

Alemanha reconhece terceiro gênero sexual no registro de bebês

 
A medida está dando que falar na Europa, onde se estima que uma em cada 5 mil crianças nasça sem um sexo definido – os chamados de hermafroditas. A partir de novembro, será possível registrar na Alemanha um bebê com sexo indefinido. Mais tarde, ele poderá escolher o que achar correto ou que o seu corpo definir.
Até aqui, quando uma criança nascia com características dos dois sexos, tornando impossível a definição de um em particular, os pais eram obrigados a fazê-lo, preenchendo a opção “masculino” ou “feminino”. Agora a Alemanha acrescenta uma hipótese e deixa que seja a pessoa a escolher, ou mesmo que ela fique registrada com sexo indefinido.
Claro que a medida enfrenta algumas barreiras, principalmente na ligação com outros documentos: por exemplo, como fica o passaporte de uma pessoa sem um sexo definido? Os responsáveis alemães dizem que é necessária uma grande reforma nesta questão e alguns juristas sugerem a utilização da letra X, do lado dos habituais M e F.
ThirdGender1Comstock/Getty Images/Comstock Images
ThirdGender2Diane Macdonald/Getty Images
A Alemanha é o primeiro país da Europa a fazê-lo, o que poderá servir de efeito de contágio para outros países. A Austrália também adotou a medida recentemente.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

9 conselhos para proteger sua filha contra a violência doméstica


 
Publicado em 17.09.2014

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Pode parecer que o mundo é mais gentil com as mulheres hoje e, de fato, elas conquistaram muitos direitos que não possuíam no passado. No entanto, o respeito à mulher não depende só de leis, mas também é um processo cultural.
Felizmente, a figura está começando a mudar. Segundo o Balanço de 2013 da Central de Atendimento à Mulher – Disque 180, serviço prestado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, naquele ano subiu de 50% para 70% o percentual de municípios de origem das chamadas. Também, cresceu em 20% a porcentagem de mulheres que denunciou a violência logo no primeiro episódio.
Ainda segundo o mesmo levantamento, os autores das agressões relatadas são, em 81% dos casos, pessoas com quem as mulheres têm ou tiveram vínculo afetivo.
Claro que parentes podem ser os agressores, mas em muitos casos a mulher acaba sofrendo nas mãos de um namorado ou marido. Sendo assim, os pais de meninas que se preocupam com sua segurança podem ajudá-las a se prevenir.
Por exemplo, alta autoestima aumenta a probabilidade de uma menina de encontrar relacionamentos saudáveis. Caso ela se envolva com um homem violento, será mais propensa a deixá-lo.
Confira as recomendações de nove especialistas sobre como educar filhas resistentes e fortes:

1. Dê o exemplo

Seja o modelo que você quer que sua filha copie. De acordo com a Dra. Michele Borba, educadora e autora de best-sellers, se você quer que ela seja assertiva, ela precisa te ver sendo assertiva, defendendo suas opiniões, mesmo que sejam impopulares. “Deixe sua filha saber que você valoriza as pessoas que dizem o que pensam. E diga-lhe que você honra suas opiniões”, afirma.

2. Ensine-a a questionar estereótipos

É fundamental ensinar seus filhos a questionar os estereótipos apresentados por meios de comunicação e pela cultura pop. Jennifer Siebel Newsom, cineasta e CEO e fundadora do The Representation Project, sugere que você incentive suas filhas a não aceitarem o sexismo e a violência gratuita como sendo a norma. “Ensine-as a questionar a narrativa tóxica que diz que meninos não podem ter emoções ou ser sensíveis, e que as meninas devem valorizar sua juventude, beleza e sexualidade acima de qualquer outra coisa”, explica.

3. Mostre-a o que é um relacionamento saudável

É importante para as meninas verem como funciona um relacionamento justo e respeitoso. Ensine suas filhas como elas podem discordar ou ter conflitos de uma forma saudável. “Ajude-as a aprender a desenhar limites do que é seguro e confortável para elas, e como comunicar seus desejos e sentimentos”, diz Esta Soler, presidente da organização contra a violência Futures Without Violence.

4. Ensine-a que aparência não é tudo

“Eu quase nunca digo aos meus filhos que o seu valor vem de sua atratividade. Se esforçar, ter boas notas, garra e educação recebem toda a atenção e validação em minha casa”, explica Nancy Hogshead-Makar, da fundação Women’s Sports Foundation. Além disso, segundo ela, desde os primeiros dias, é preciso reforçar para suas filhas que seus corpos lhes pertencem. Se elas pedem que você pare de fazer cócegas, por exemplo, é preciso que você pare – elas têm que ter controle sobre seu corpo.

5. Diga-lhe que casar ou ter um parceiro não é o mais importante

“A mensagem de que o amor de um homem deve ser o maior objetivo das mulheres rodeia esmagadoramente nossas filhas desde que elas são crianças”, argumenta Melissa Wardy, autora do livro “Redefining Girly” (em português, algo como “Redefinindo o que é feminino”). Os pais podem dar as suas filhas o conhecimento de que ter um homem em sua vida não será a sua maior conquista, nem vai defini-la. “Ao assegurar que nossas meninas cresçam para serem educadas, resistentes e autossuficientes, nós podemos garantir que elas não definam o seu valor a partir de fontes externas”, diz.

6. Mantenha um diálogo aberto com ela

Tenha conversas abertas com suas filhas, que permitam honestidade profunda, perguntas desconfortáveis e oportunidades para elas compartilharem as coisas que as fazem se sentir vulneráveis e inseguras. “É importante que vocês avisem que nada do que elas compartilharem com vocês será julgado. E é ainda mais importante se certificar de que vocês realmente não a julguem”, diz Jessica Weiner, CEO de Talk To Jess.

7. Explique que ela não é menos valiosa que um menino

“Desde os primeiros séculos, nossas crianças são inundadas com mensagens de que as meninas são menos valiosas do que os meninos, que são um mero objeto a ser sexualizado e valorizado pelos homens. Como resultado, muitas meninas crescem sem um forte senso de valor intrínseco, e todos esperam e aceitam maus tratos por parte de parceiros”, explica Carrie Goldman, autora do livro “Bullied: What Every Parent, Teacher, and Kid Needs to Know About Ending the Cycle of Fear” (em português, algo como “Pessoas que sofrem bullying: o que cada pai, professor e criança precisa saber para acabar com o ciclo de medo”). Segundo ela, para reverter esse pensamento, temos que contrariar as mensagens culturais que todas as nossas crianças – meninos e meninas – recebem sobre seus papéis no mundo.

8. Ajuda-a a empoderar-se

De acordo com a Dra. Robi Ludwig, psicoterapeuta, é preciso ajudar sua filha a se sentir bem sobre quem ela é. “Tenha grandes expectativas sobre o que ela pode realizar no mundo com base em seus pontos fortes. Ajude-a a ver-se não só pelo que e quem ela é, mas pelo que ela pode ser”, afirma. Também é interessante transmitir essa importância de ter altas expectativas para seus relacionamentos.

9. Ensine-a a respeitar-se

Muitas vezes os pais conversam com seus filhos sobre a necessidade de respeitar os outros, mas poucos ensinam o autorrespeito. Segundo a Dra. Robyn Silverman, especialista em desenvolvimento infantil e adolescente, as meninas precisam aprender a se dar valor. Somente respeitando a si mesmas é que elas vão obter respeito dos outros. [Forbes, CeA]

Uma em cada três mulheres sofre violência doméstica

 


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Cerca de um terço das mulheres em todo o mundo já foram agredidas fisicamente ou sexualmente por um ex ou atual parceiro.
A conclusão é de uma revisão de uma série de artigos feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Especialistas também estimam que cerca de 40% das mulheres assassinadas no mundo foram mortas por um parceiro íntimo, e que ser agredida por um parceiro é o tipo mais comum de violência sofrida pelas mulheres.
“A violência contra as mulheres é um problema global de saúde de proporções epidêmicas”, afirma a diretora geral da OMS, Dra. Margaret Chan.

A revisão

A OMS definiu a violência física como ser golpeada, empurrada, perfurada, sufocada ou atacada com uma arma. Violência sexual foi definida como ser fisicamente forçada a ter relações sexuais, ter relações sexuais porque está com medo do que seu parceiro possa fazer e ser obrigada a fazer algum ato sexual considerado humilhante ou degradante.
Quanto a violência doméstica, os cientistas analisaram informações de 86 países com foco em mulheres com mais de 15 anos de idade. Eles também avaliaram estudos de 56 países sobre a violência sexual feita por alguém que não fosse um parceiro, embora não tivessem dados do Oriente Médio.
O relatório descobriu que cerca de 7% das mulheres em todo o mundo já tinham sido vítimas de violência por parte de alguém que não era um parceiro.
Globalmente, a OMS descobriu que 30% das mulheres são afetadas por violência doméstica ou sexual vinda de um parceiro. O relatório foi baseado em grande parte em estudos de 1983 a 2010.
De acordo com as Nações Unidas, mais de 600 milhões de mulheres vivem em países onde a violência doméstica não é considerada um crime.
A taxa de violência doméstica contra as mulheres foi maior na África, no Oriente Médio e no Sudeste da Ásia, onde 37% das mulheres sofreram violência física ou sexual de um parceiro em algum momento de sua vida. A taxa foi de 30% na América Latina e na América do Sul, e 23% na América do Norte. Na Europa e na Ásia, foi de 25%.
Em um artigo relacionado publicado online na revista Lancet, os pesquisadores descobriram que mais de 38% das mulheres assassinadas no mundo são mortas por um ex-parceiro ou atual, número seis vezes maior do que a taxa de homens assassinados por suas parceiras.
Heidi Stoeckl, uma das autoras deste estudo, disse que os números podem ser ainda maiores. Ela e seus colegas descobriram que, globalmente, o maior risco de assassinato de uma mulher vêm de um atual ou ex-parceiro.
Em países como a Índia, mulheres são muitas vezes assassinadas por conta de “crimes de honra”, como infidelidade, ou devido a disputas por dotes. Nestes casos, segundo Stoeckl, o assassinato serve para “proteger a reputação da família”.
Ela também observou que mulheres e homens são muitas vezes mortos por seus parceiros por motivos diferentes. “Quando uma mulher mata seu parceiro, geralmente é autodefesa, porque ela foi abusada”, disse. “Mas quando uma mulher é assassinada, é muitas vezes depois que ela resolveu terminar o relacionamento e o homem mata por ciúmes ou raiva”.

Prevenção é importante

Em conjunto com o relatório, a OMS emitiu orientações para as autoridades detectarem esses tipos de problemas mais cedo do que costumam.
Os especialistas disseram, por exemplo, que todos os profissionais de saúde devem ser treinados para reconhecer quando as mulheres podem estar em risco e como responder de forma adequada.
Alguns especialistas dizem que a triagem para a violência doméstica deve ser adicionada a todos os níveis de cuidados de saúde, como clínicas obstétricas.
“É improvável que alguém entre em um hospital para informar que foi atacada”, disse Sheila Sprague, da Universidade McMaster, no Canadá, que pesquisou a violência doméstica em mulheres em clínicas ortopédicas. “Com o tempo, no entanto, se as mulheres entram em uma clínica para tratar uma fratura ou uma clínica de pré-natal, elas podem dizer que estão sofrendo abuso, se você perguntar”, argumentou.
Stoeckl disse que as autoridades da justiça criminal devem intervir numa fase mais precoce. “Quando uma mulher é assassinada por um parceiro, ela muitas vezes já teve contato com a polícia”, disse ela.
Mais medidas de proteção devem ser tomadas nesses casos, principalmente quando ele ou ela tem um histórico de violência e possui uma arma. “Há sinais suficientes pelos quais devemos procurar”, afirma.

O que fazer em caso de violência doméstica ou sexual

Segundo a pesquisa Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, realizada pelo Instituto Avon / Ipsos entre 31 de janeiro a 10 de fevereiro de 2011, seis em cada dez brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica.
No Brasil, as mulheres são protegidas pela Lei Maria da Penha. Mesmo que a própria vítima não denuncie o abuso ou acuse o perpetrador, pessoas que sabem de algum caso de violência doméstica e sexual podem denunciar.
Ainda segundo a pesquisa do Instituto Avon / Ipsos, 94% das pessoas conhecem a Lei Maria da Penha, mas apenas 13% sabem seu conteúdo. A maioria das pessoas (60%) pensa que, ao ser denunciado, o agressor vai preso.
A lei garante a proteção da mulher que sofreu violência, mas depois do registro da ocorrência, a autoridade precisa ouvir ambas as partes e colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato.
Segundo levantamento realizado em 2011 pela Pesquisa DataSenado, o medo continua sendo a razão principal (68%) para evitar a denúncia dos agressores. Em 66% dos casos, os responsáveis pelas agressões foram os maridos ou companheiros.
Enquanto isso, a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado feita em 2010 pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC afirma que uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”.
Diante desses números e do desconhecimento da lei por muitas mulheres, é dever de quem tem o conhecimento ajudar. Caso você tenha sido vítima de qualquer abuso ou conheça alguém que foi, denuncie.
A Lei Maria da Penha prevê cinco tipos de agressão contra a mulher:
  • Violência física;
  • Violência psicológica;
  • Violência sexual;
  • Violência patrimonial;
  • Violência moral.
Qualquer uma dessas agressões contra a mulher deve ser denunciada na Central de Atendimento à Mulher através do número 180, que funciona 24 horas por dia. O anonimato da vítima ou de quem faz a denúncia de agressão é garantido.
A denúncia pode ser feita pela mulher ou qualquer pessoa próxima a ela. A Central de Atendimento à Mulher oferece informações sobre a Lei Maria da Penha e atendimento psicológico, jurídico e social à vítima, além de orientar sobre como agir e procurar ajuda.
A mulher agredida também pode ligar para a polícia no 190, ou prestar queixa em qualquer delegacia, para depois pedir que seu caso seja encaminhado a uma Delegacia de Defesa da Mulher.
O número 100 também é um disque-denúncia e ajuda em casos de agressões sexuais contra crianças e adolescentes, tráfico de mulheres e pornografia infantil.
Para saber mais sobre o conteúdo da Lei Maria da Penha, clique aqui.[MedicalXpress, APG, PortalBrasil, R7]

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Este homem ficou grávido por três vezes e se prepara para gerar o quarto filho

 

Ele é mundialmente conhecido como “O primeiro homem a ficar grávido no mundo!“. Já sei o que você vai dizer: Isso é impossível!!!! Sim, é biologicamente impossível, eu concordo. Mas a notícia é verdadeira.
Thomas Beatie, hoje com 40 anos, é palestrante, escritor e advogado. Ele também é pai/mãe de três lindas crianças saudáveis. Na verdade Thomas nasceu como “Tracy Lehuanani”, em um corpo feminino, porém, é transexual masculino. O transexual, é uma pessoa que possui uma identidade de gênero diferente da designada ao nascimento, ou seja, homens que nascem em corpo de mulher e mulheres que nascem em corpo de homem. Esta é a condição de Thomas, que iniciou um tratamento hormonal e realizou uma mastectomia dupla tomando a partir daí uma aparência masculina. A cirurgia para troca de sexo só aconteceu em 2002, aos 28 anos. No entanto, todos os órgãos internos foram preservados, pois Thomas esperava ter um filho biológico.
Thomas mudou oficialmente o sexo, e tem todos os documentos como homem (certidão de nascimento, carteira de motorista, passaporte, etc….). Tudo ficou certo para que Thomas se casasse com sua namorada Nancy Gillespie. O casamento aconteceu em 2003 conforme as leis do estado do Havaí. Em 2005, mudou-se para Oregon, onde seu gênero foi aceito como masculino e o casamento foi considerado legal.
Thomas, sempre quis ter um filho biológico, e mesmo tendo o tão sonhado corpo masculino, preservou seus órgãos reprodutores para tal. A esposa de Thomas era estéril e ele se prontificou a gerar o filho do casal. Com esperma conseguido por doação, o casal teve seu primeiro bebê em 2008, a pequena Susan. Os holofotes do mundo se viraram para este casal quando foram divulgadas fotos de Thomas, um homem barbado, gerando uma criança (fotos).
Mais tarde o casal teve, pelo mesmo processo mais 2 meninos (Austin e Jensen). Em 2012, após 9 anos de casamento, Thomas e Nancy se separaram e ainda lutam pela guarda das crianças. Thomas, já se casou novamente e pensa em ter o quarto filho e só então “fechar a fábrica”. Pode parecer incrível, mas o argentino Alexis Taborda, de 26 anos, também deu à luz a um bebê no final de 2013. Ele também é transexual, claro! O.o
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Thomas faltando 4 semanas para o parto de um dos filhos. Foto: Reprodução/huffingtonpost
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Thomas fazendo a barba com 8 meses de gravidez.Foto: Reprodução/huffingtonpost
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Thomas sendo examinado pela obstetra antes do parto. Foto: Reprodução/allvoices
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Thomas dando a luz ao terceiro filho (Jensen). Todos os partos foram naturais. Foto: Reprodução/gettyimages
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Toda a família reunida antes do divórcio dos pais. Foto: Reprodução/dailymail

terça-feira, 24 de junho de 2014

Escolaridade das mães X mortalidade infantil - Leitura essencial

É uma lógica simples: Mais meninas na escola = Mais mães que sabem ler = mais bebês saudáveis.
*
It´s a simple logic: More girls at school = More mothers who can read = More healthy babies.
www.unicef.org.mz
 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Eu sou um fungo (paródia de 'Beijinho no ombro')

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Eu sou um fungo (paródia de 'Beijinho no ombro')
Diário de Biologia parabeniza todos os estudantes que "entregam a alma" aos estudos!
Paródia da música 'Beijinho no Ombro' da Valesca Popozuda. Feita para a ocasião de uma oficina de microbiologia 2014 realizada na UFRN.

EU SOU UM FUNGO
...
Desejo a todas minhas hifas vida longa
Pra que tu veja cada dia mais nossa vitória
Bolores, mofos, leveduras e as 'trufa'
'Vamo' estragar sua comida e te dar micose

Tenho parede, faço ela de escudo
Sou eucarionte com um núcleo bem seguro
A olho nu, quase não dá pra me ver
Posso ser pequeno, mas posso matar você!

Não sou uma planta, minha reserva é glicogênio
Como leveduuura realiiizo brotameeento
Posso ser bonzinho ainda bem que descobriu
Pega o preconceito e vai pra...

Eu sou um fungo, meus esporos voam longe
Eu sou um fungo, Cê sabe quem sou eu, então?
Eu sou um fungo, sou quem arrasa com os 'queijo'
Eu sou um fungo, faço decomposição

Paródia: Aquiles Sales (Estudante de Biomedicina na UFRN)
No YouTube: http://zip.net/bgnfdq
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Diário de Biologia parabeniza todos os estudantes que "entregam a alma" aos estudos!
Paródia da música 'Beijinho no Ombro' da Valesca Popozuda. Feita para a ocasião de uma oficina de microbiologia 2014 realizada na UFRN.

EU SOU UM FUNGO
...
Desejo a todas minhas hifas vida longa
Pra que tu veja cada dia mais nossa vitória
Bolores, mofos, leveduras e as 'trufa'
'Vamo' estragar sua comida e te dar micose

Tenho parede, faço ela de escudo
Sou eucarionte com um núcleo bem seguro
A olho nu, quase não dá pra me ver
Posso ser pequeno, mas posso matar você!

Não sou uma planta, minha reserva é glicogênio
Como leveduuura realiiizo brotameeento
Posso ser bonzinho ainda bem que descobriu
Pega o preconceito e vai pra...

Eu sou um fungo, meus esporos voam longe
Eu sou um fungo, Cê sabe quem sou eu, então?
Eu sou um fungo, sou quem arrasa com os 'queijo'
Eu sou um fungo, faço decomposição

Paródia: Aquiles Sales (Estudante de Biomedicina na UFRN)
No YouTube: http://zip.net/bgnfdq

Vida no tubo de ensaio

Perfil Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de sete livros
Perfil completo
 
Por Salvador Nogueira
29/04/14 05:43
Ao simular as condições dos oceanos da Terra primitiva, um grupo de cientistas liderado por Markus Ralser, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, testemunhou o surgimento espontâneo de reações químicas complexas que até então eram consideradas província exclusiva do metabolismo de seres vivos. A descoberta recém-publicada coloca a ciência um pouco mais perto de decifrar um dos maiores enigmas com que já deparou: a origem da vida.
Seria esse o berço da vida na Terra, uma fonte hidrotermal no fundo do oceano?
Seria esse o berço da vida na Terra, uma fonte hidrotermal no fundo do oceano?
O achado em essência demonstra que uma química muito complexa pode emergir sem a ajuda de enzimas — proteínas construídas por seres vivos que ajudam a promover as reações mais essenciais, como aquelas em que açúcares são convertidos em moléculas contendo energia para uso pelo organismo.
Mas, antes que você se anime demais, não, ainda não sabemos de fato como surgiram as primeiras formas de vida. O que temos até o momento são várias peças separadas de um quebra-cabeças que a natureza teve pelo menos vários milhões de anos para montar sozinha. Essa agora é só mais uma peça — e uma potencialmente bem importante.
ÁGUA, SUA LINDA
Não é à toa que os astrobiólogos hoje consideram a busca por água o fator primordial para tentarmos encontrar outras formas de vida no Universo. Ela cumpre papéis essenciais em todas as formas de vida conhecidas, e até agora não encontramos nenhuma outra molécula que possa servir de substituta.
Contudo, ela não faz todo o serviço sozinha — e em alguns casos pode até atrapalhar. Felizmente, os oceanos da Terra primitiva tinham muito mais que só água: em sua composição, identificada por meio de sedimentos marinhos, também havia grandes quantidades de ferro, além de fosfatos e outros metais.
Após recriar com a máxima fidelidade possível uma amostra desse oceano primitivo, que existia em nosso planeta cerca de 3,8 bilhões de anos atrás, os pesquisadores pegaram algumas moléculas complexas que eles sabem estar no “meio do caminho”, por assim dizer, de reações necessárias ao metabolismo dos seres vivos, e as adicionaram à mistura.
Nos seres vivos, essas moléculas são processadas com a ajuda de enzimas para chegar até suas formas finais, mais úteis. Ali, naquela amostra, não havia enzima nenhuma. O que aconteceria? Ficaria tudo na mesma? A água do oceano primitivo destruiria as moléculas?
O suspense tomou conta do laboratório durante as cinco horas em que as amostras permaneceram aquecidas a cerca de 70 graus Celsius. Quente demais para qualquer enzima que conheçamos, mas uma temperatura comum nas proximidades de fontes hidrotermais — estruturas que mais lembram chaminés no fundo do oceano, alimentadas pelo calor que emana das entranhas do nosso planeta. (Muitos cientistas acreditam que esses ambientes possam ter sido o berço das primeiras formas de vida, o que explica a escolha feita no experimento em questão.)
E aí, finalmente, a recompensa: os cientistas descobriram que o ferro ajudava a “empurrar” as reações químicas adiante, em rotas extremamente parecidas com as seguidas pelos metabolismos dos seres vivos modernos. Mas sem as enzimas para tocar o negócio! Entre as 29 reações metabólicas observadas, uma se destacou: a que produziu ribose-5-fosfato. Trata-se de uma molécula precursora do RNA — “primo” do DNA que é capaz, como ele, de armazenar informação genética e, portanto, se submeter aos processos evolutivos darwinianos.
Isso explica como a vida surgiu? Não. Mas mostra que algumas reações que antes achávamos complexas demais para ser executadas a partir de uma química prebiótica (ou seja, anterior à vida) na verdade acontecem em um experimento de meras cinco horas!
A ORDEM DOS FATORES
O resultado faz Ralser e seus colegas cogitarem que talvez seja o caso de repensar em que sequência aconteceram os eventos químicos imprescindíveis à origem da vida.
A visão mais tradicional, baseada nos primeiros experimentos que abordaram a questão, em 1953, sugere que primeiro surgiram as proteínas, capazes de fazer metabolismo. Mais tarde elas seriam reunidas aos ácidos nucleicos (DNA e RNA), protegidas num sistema fechado por uma cápsula de lipídeos, para formar as primeiras células vivas. Em resumo, a ordem dos fatores seria: proteínas -> metabolismo -> DNA e RNA
Uma visão mais moderna sugere que tudo pode ter começado com o RNA. A hipótese é motivada por sua versatilidade. Ele não só é capaz de guardar informação genética, a exemplo do DNA, como também pode conduzir certas rotas metabólicas, como as proteínas. Ou seja, ele poderia ser, sozinho, a base da vida. Só mais tarde, com a evolução, ele seria destronado da função de portador principal da informação genética pelo famoso DNA e ganharia a companhia de proteínas mais eficazes que ele para tocar esse negócio de metabolismo. Segundo esse esquema, teríamos: RNA -> metabolismo -> proteínas e DNA.
Uma dificuldade particular desse modelo é a de como fabricar RNA a partir de química prebiótica que envolva água. (O Mensageiro Sideral já abordou o trabalho de Steven Benner, que sugere que o RNA só poderia ter nascido em Marte e depois migrado para a Terra, tamanha a dificuldade em produzi-lo a partir de química simples em meio aquoso.)
A pesquisa de Ralser, contudo, pode apontar outra solução para o dilema. “Essas observações revelam que as sequências de reação que constituem o metabolismo central de carbono poderiam ter sido forçadas pelo ambiente oceânico rico em ferro do começo do Arqueano [cerca de 3,8 bilhões de anos atrás]“, escreveram os pesquisadores em trabalho publicado no periódico “Molecular Systems Biology”. Teríamos, portanto, primeiro de tudo o metabolismo, e depois RNA, proteínas e o DNA.
Uma vantagem dessa proposta é que, tendo metabolismo de saída, ainda que numa versão menos eficaz, mais primitiva, você poderia encontrar reações como as que formam o RNA, mesmo em ambientes aquosos. Outra vantagem é que um oceano que faz metabolismo sozinho, logo de cara, encurta bastante o caminho para formas de vida, explicando o porquê de os primeiros seres vivos terem surgido tão depressa no registro fóssil, praticamente assim que as condições na Terra foram favoráveis.
Uma terceira, especialmente pertinente para a busca por vida extraterrestre, é que não há por que não supor que outros oceanos espalhados pelo Sistema Solar, como os de Europa (lua de Júpiter) ou Encélado (de Saturno), não possam ter produzido circunstâncias similares, condutivas de metabolismo e, por fim, seres vivos.
Bacana, né? Mas não é o caso de comemorar muito. Afinal, não custa lembrar novamente que os pesquisadores já começaram seu experimento com moléculas de certa complexidade, e ninguém sabe ainda como o oceano primitivo poderia ter chegado a esse ponto inicial sozinho. Por isso, ainda é cedo até para dizer que o metabolismo de fato realmente precedeu RNA ou proteínas. Nenhuma das três rotas de surgimento da vida descritas brevemente acima foi descartada, no atual ponto do jogo.
Por enquanto, o enigma da origem da biosfera terrestre — o enigma da nossa origem, portanto — permanece sem solução. Mas a ciência se aproxima cada vez mais de fechar essa conta.
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terça-feira, 22 de abril de 2014

Crianças imunes a vírus podem ser a chave para o tratamento de doenças virais

 


Publicado em 20.04.2014
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Os vírus são criaturas terríveis e incompetentes, mas temos que admitir: eles são altamente inteligentes. Quando digo que são incompetentes, é porque são incapazes de produzir proteínas por conta própria. Por isso, invadem nosso organismo e “sequestram” as nossas, usando-as como abrigo. Assim eles ficam protegidos e conseguem se reproduzir, infestando nosso corpo os mais variados tipos de doenças.
E são absolutamente inteligentes por um motivo muito simples: em alguns casos, como o vírus da AIDS, a ciência e a medicina ainda não encontraram maneiras de detê-los. Pelo menos por enquanto.
Uma recente descoberta parece ter colocado a veracidade dessa afirmação em contagem regressiva, e os cientistas podem ter encontrado um novo caminho para o tratamento de doenças virais.

A descoberta

O caso de um casal de irmãos (um menino de 11 anos e uma menina de 6) foi relatado recentemente no New England Journal of Medicine e pode representar um novo e brilhante momento para a medicina. Os dois foram diagnosticados com uma doença genética extremamente rara que, resumidamente, fornece proteínas quebradas aos vírus que invadem seus organismos. Isso faz com que eles se tornem imunes a muitas classes de vírus.
Esses irmãos são apenas o segundo e terceiro caso já verificado com este raro distúrbio genético. A primeira foi constatada em um bebê que morreu com 74 dias. O maior problema é que a imunidade aos vírus, no entanto, tem um custo – tanto o menino quanto a menina têm problemas de desenvolvimento, ossos frágeis e um sistema imunológico drasticamente enfraquecido, o que torna ainda mais notável o fato de eles não terem doenças como infecções de ouvido ou gripe.
Todos esses efeitos colaterais acontecem porque essa mutação genética afeta um processo biológico básico chamado glicosilação, que é quando uma molécula de açúcar está ligada a uma proteína. Estas proteínas de açúcar resultantes são usadas ​​em todo o corpo, e também por vírus – que as roubam para construir uma espécie de escudo protetor para seu material genético. E quando essas proteínas de açúcar são perturbadas, a ação de vírus como os da gripe, herpes, dengue, hepatite C e até HIV é bloqueada, o que sugere novas possibilidades de tratamentos antivirais.

Possibilidades

Tratamentos antivirais podem bloquear temporariamente a glicosilação para prevenir a infecção viral sem os efeitos secundários devastadores de que falamos. Inclusive, algumas estratégias já estão sendo testadas, como uma droga que está atualmente sendo aplicada em pacientes com HIV. Segundo os médicos, os efeitos parecem promissores. “O pior efeito colateral foi flatulência”, disse o Dr. Sergio Rosenzweig.
Quanto a essas crianças, o distúrbio genético que elas têm é tão rara que ainda não é bem compreendida. No entanto, é uma nova perspectiva para a compreensão de como o corpo humano e os vírus interagem, abrindo portas para novas drogas que possam interferir em outras partes do processo de glicosilação e tratar outras infecções virais. Temos um longo caminho pela frente, mas estas duas crianças podem ser a chave para o segredo de como combater diversos vírus. [Gizmodo]

terça-feira, 1 de abril de 2014

A vida artificial já está aqui

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Foto: El País
Cientistas de várias universidades norte-americanas e europeias alcançaram “o monte Everest da biologia sintética”, como dizem os editores da Science: o primeiro cromossomo eucariótico fabricado em laboratório.
A reportagem é de Javier Sampedro, publicada no jornal El País, 27-03-2014.
Trata-se de um cromossomo de levedura, o fungo usado na fabricação de cerveja, pão, biocombustível e em metade das pesquisas sobre organismos eucariontes, como nós. A capacidade de introduzir um cromossomo sintético nesse organismo permitirá melhorar todos os itens anteriores: fabricar biocombustíveis mais sustentáveis para o ambiente ou desenvolver novos antibióticos, além de todo um novo continente de pesquisa sobre a pergunta do milhão: como construir o genoma inteiro de um organismo superior. A reconstrução de um neandertal, por exemplo, seria impossível sem esse passo essencial.
A biologia sintética é uma disciplina emergente, que trata não de modificar organismos, mas sim de desenhá-los a partir de princípios básicos. Nos últimos cinco anos, foram obtidos avanços espetaculares, como a síntese artificial do genoma completo de uma bactéria e de vários vírus.
Mas esta é a primeira vez que se consegue fabricar um cromossomo completo e funcional de um organismo superior, ou eucarionte (ou célula boa, em grego, aquela que forma os humanos). O consórcio liderado por Jef Boeke, diretor do Instituto de Genética de Sistemas da Universidade de Nova York, apresenta seu revolucionário resultado na revista Science.
“Nossa pesquisa move o ponteiro da biologia sintética da teoria para a realidade”, diz Boeke, um dos pioneiros dessa área. “Esse trabalho representa o maior passo dado até agora no esforço internacional para construir o genoma completo de uma levedura sintética.”
Boeke iniciou esse projeto há sete anos em outra universidade, a Johns Hopkins, em Baltimore, recrutando 60 estudantes universitários em um projeto chamado Build a Genome (“construa um genoma”). As técnicas para sintetizar o DNA melhoraram muito na última década, mas costumam produzir pedaços sequenciados bastante curtos, com não muito mais do que 100 ou 200 letras (tgaagcct…). Os estudantes se ocuparam de reunir tais sequências sintéticas em pedaços cada vez maiores. O cromossomo final mede perto de 300.000 letras.
Que um marco científico se refira à levedura (Saccharomyces cerevisiae), um fungo unicelular que os antigos egípcios já usavam para fazer a cerveja, parece ser um bom paradoxo ou uma piada ruim, mas não é assim. A divisão fundamental entre todos os seres vivos da Terra não é a que existe entre plantas e animais, nem entre micro-organismos e espécies grandes ou macroscópicas: é entre procariontes (bactérias e arqueias) e eucariontes (todos os outros, inclusive nós).
E o importante da levedura é que, por mais que seja um organismo unicelular, recai no nosso lado da barreira. Não é exagerado dizer que a maior parte do que sabemos sobre a biologia humana se deve à pesquisa desse conhecido fungo de aparência modesta. A levedura tem 6.000 genes, sendo que compartilha um terço deles com o ser humano, apesar do 1 bilhão de anos de evolução que nos separam.
Os cromossomos são os pacotes em que se divide o genoma dos organismos superiores, ou eucariontes. São muito mais do que uma parte do DNA: estão empacotados em complexas arquiteturas formadas por centenas de proteínas que interagem com o material genético, como as histonas. São dotados de um centrômero, o maquinário especializado em distribuir uma cópia do genoma para cada célula filha em cada ciclo da divisão celular; e seus extremos estão protegidos por sistemas singulares, os telômeros, que garantem a integridade da informação genética em cada ciclo de replicação. Por isso o novo feito científico vai muito além da síntese do genoma de uma bactéria, algo que já se havia obtido anteriormente.
Os humanos têm o genoma dividido em 23 cromossomos (ou pares de cromossomos); a levedura distribui seu material em 16, e os cientistas se centraram no menor deles, o de número 3. Extraíram o cromossomo 3 natural do fungo e o substituíram por sua versão sintética, chamada synIII, que cobre as funções do seu homólogo natural, apesar de ter sido bastante alterado com todo tipo de elemento artificial concebido para facilitar sua manipulação no futuro imediato.
A fabricação de antibióticos é atualmente obra de micro-organismos
Que o cromossomo sintético funcione em seu ambiente natural, uma célula viva de levedura, é o verdadeiro marco do trabalho, segundo os pesquisadores. “Mostramos”, diz Boeke, “que as células de levedura que levam o cromossomo sintético são notavelmente normais; comportam-se de forma quase idêntica às leveduras naturais, exceto que agora possuem novas capacidades e podem fazer coisas que suas versões silvestres não conseguem fazer”.
A versão natural do cromossomo 3 do Saccharomyces cerevisiae tem 316.667 bases (as letras do DNA: a, g, t, c). A versão sintética é um pouco mais curta, com 273.871 bases, como consequência das mais de 500 alterações que os cientistas introduziram nele. Entre essas modificações se encontra a eliminação de muitos trechos de DNA repetitivo, que não têm função alguma, por estarem situados entre um gene e outro (sequências intergênicas) ou dentro dos próprios genes (íntrons).
Também eliminaram os transpósons, ou genes que saltam de uma posição para outra no genoma de todos os organismos eucariontes. O cromossomo artificial synIII também porta muitos trechos de DNA acrescidos pelos pesquisadores. O número total de mudanças de um ou outro tipo se aproxima de 50.000, e mesmo assim o cromossomo sintético continua sendo funcional.
Apesar das suas evidentes implicações para a biologia fundamental – é possível construir o genoma de um organismo superior, inclusive o ser humano, a partir de compostos químicos tirados de um pote na estante? –, o projeto tem objetivos sobretudo práticos. E não só em áreas industriais, como a fabricação de pão e bebidas, nas quais esse organismo sempre foi utilizado.
Já houve vírus e bactérias de laboratório
Uma das aplicações ressaltadas pelos autores é a melhora na produção de remédios como a artemisina, para a malária, ou a vacina contra a hepatite B. Como a maioria dos antibióticos provém de fungos, e a levedura é um deles, também não é descabido prever avanços na concepção e produção desses medicamentos.
Mais em longo prazo, as leveduras sintéticas podem facilitar a síntese de medicamentos contra o câncer, tais quais o Taxol, cuja síntese, por ser muito complicada e envolver muitos genes, gera obstáculos para as tecnologias convencionais. Numa área industrial muito diversa, essa tecnologia, conforme esperam seus autores, servirá para desenvolver biocombustíveis mais eficazes que os atuais, entre eles álcoois como o butanol, e também diesel de origem biológica.
E, obviamente, o synIII é só o primeiro dos 16 cromossomos da levedura que os pesquisadores conseguem sintetizar. As tentativas de repetir a façanha com os outros 15 cromossomos já estão em projeto, sendo incluídas em um programa internacional chamado SC 2.0, com a participação de cientistas dos Estados Unidos, China, Austrália, Cingapura e Reino Unido. No nome do projeto, SC alude a Saccharomyces cerevisiae, o nome científico da levedura da cerveja, e o 2.0 busca enfatizar até que ponto os seres vivos estão prestes a se parecerem com qualquer outro desenvolvimento tecnológico. O objetivo é construir um genoma completo de levedura, ou o primeiro organismo complexo sintetizado no tubo de ensaio.
Voltando os olhos mais para o futuro, cabe especular sobre a ressurreição de espécies extintas, como o mamute ou o neandertal, cujos genomas já foram sequenciados a partir de seus restos fósseis. Se esses projetos chegarem a ser iniciados algum dia, terão de se basear em uma técnica similar à que Boeke e seus colegas acabam de desenvolver para esse fungo enganosamente simples, mas que tão útil tem sido para a espécie humana desde os primórdios do neolítico.
Veja também:

Para ler mais:

segunda-feira, 31 de março de 2014

Crianças e adolescentes são 70% das vítimas de estupro - Pesquisa IPEA

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27/03/2014 20:37
 

Nota Técnica apresentada no Ipea analisou dados do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde

Encerrando o Mês da Mulher, o Ipea realizou nesta quinta-feira, 27, um seminário em Brasília para apresentação de estudos que tratam da violência contra o sexo feminino. Além de uma edição do Sistema de Indicadores de Percepção Social, foi apresentada a Nota Técnica Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde. É a primeira pesquisa a traçar um perfil dos casos de estupro no Brasil a partir de informações de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan).
Com base nesse sistema, a pesquisa estima que no mínimo 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil e que, destes casos, apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia. A Nota Técnica é assinada pelo diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia, Daniel Cerqueira, que fez a apresentação, e pelo técnico de Planejamento e Pesquisa Danilo Santa Cruz Coelho.
Os registros do Sinan demonstram que 89% das vítimas são do sexo feminino e possuem, em geral, baixa escolaridade. Do total, 70% são crianças e adolescentes. “As consequências, em termos psicológicos, para esses garotos e garotas são devastadoras, uma vez que o processo de formação da autoestima - que se dá exatamente nessa fase - estará comprometido, ocasionando inúmeras vicissitudes nos relacionamentos sociais desses indivíduos”, aponta a pesquisa.
Em metade das ocorrências envolvendo menores, há um histórico de estupros anteriores. Para o diretor do Ipea, “o estudo reflete uma ideologia patriarcal e machista que coloca a mulher como objeto de desejo e propriedade”. Ainda de acordo com a Nota Técnica, 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padrastos, e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima. O indivíduo desconhecido passa a configurar paulatinamente como principal autor do estupro à medida que a idade da vítima aumenta. Na fase adulta, este responde por 60,5% dos casos.
Em geral, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima, o que indica que o principal inimigo está dentro de casa e que a violência nasce dentro dos lares. A pesquisa também apresenta os meses, dias da semana e horários em que os ataques costumam ocorrer, de acordo com o perfil da vítima.

Leia o texto (Nota Técnica): Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (versão preliminar)
Leia o texto (SIPS): Tolerância social à violência contra as mulheres

Pesquisa IPEA sobre estupro Preocupante

27/03/2014 20:41
SIPS revela percepções sobre a violência contra a mulher

Maioria dos consultados pelo Ipea acredita que comportamento feminino pode induzir ao estupro

Realizada entre maio e junho de 2013, uma nova rodada da pesquisa SIPS/Ipea (Sistema de Indicadores de Percepção Social) divulgada nesta quinta-feira, 27, revelou que 91% dos brasileiros defendem, totalmente ou parcialmente, a prisão para homens que batem em suas companheiras. A tendência em concordar com punição severa para a violência doméstica ultrapassa as fronteiras sociais, com pouca variação segundo região, sexo, raça, idade, religião, renda, ou educação: “78% dos 3.810 entrevistados concordaram totalmente com a prisão para maridos que batem em suas esposas”, afirma o documento.
No entanto, esses dados não permitem pressupor um alto grau de intolerância da sociedade brasileira à violência contra a mulher. Quase três quintos dos entrevistados, 58%, responderam que “se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros”. Quando a questão é se “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”, 63% concordaram, total ou parcialmente. Da mesma forma, 89% dos entrevistados concordaram que “a roupa suja deve ser lavada em casa”; e 82% que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.
De acordo com os autores do estudo, as percepções manifestadas indicam que a população ainda “adere majoritariamente a uma visão de família nuclear patriarcal, ainda que sob uma versão moderna”. Assim, “embora o homem seja ainda percebido como o chefe da família, seus direitos sobre a mulher não são irrestritos, e excluem as formas mais abertas e extremas de violência”.
Rafael Osorio, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, explicou que outras formas de violência estão sendo percebidas pela população. “Existe atualmente uma rejeição da violência física e simbólica – xingamentos, tortura psicológica –, no entanto, 42% das pessoas acreditam que a mulher é culpada pela violência sexual”, afirmou. Outro fator que chama a atenção são os casos de estupro dentro do casamento. “27% das pessoas concordam que a mulher deve ceder aos desejos do marido mesmo sem estar com desejo, e esse é um dado perigoso.”

Variações
Inspirado numa grande pesquisa nacional realizada na Colômbia, em 2009, que investigou aspectos relacionados aos hábitos, atitudes, percepções e práticas individuais, sociais e institucionais no que diz respeito à violência de gênero, o SIPS também buscou outras opiniões relacionadas à questão da discriminação e do sexismo.
Em um sentido mais geral, 50% dos respondentes concordaram total ou parcialmente com a afirmação “casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais”. Entretanto, diante de uma formulação mais incisiva, de que “o casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido”, mais da metade, 52%, concordaram com a proibição.
Quando a situação é ainda mais concreta, de explicitação de uma relação homossexual em público, a oposição cresce: mais de 59% concordam total ou parcialmente que “incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público”.

Contribuições
Estiveram presentes ao debate a secretária de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea Natália Fontoura, e Nina Madsen, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFMEA), que fez a apresentação Entraves Institucionais ao Enfrentamento da Violência contra as Mulheres: construindo diagnósticos.
Aparecida Gonçalves explicou que mesmo com a Lei Maria da Penha o número de mulheres assassinadas com boletim de ocorrência registrado ainda é alto, e por isso “todas as políticas públicas existentes devem ser preparadas para atender as mulheres”. Segundo ela, “temos apenas 521 delegacias especializadas para atender mulheres no Brasil, o que é pouco”.
Lourdes Bandeira, secretária-executiva da Secretaria de Políticas para as Mulheres, fez os comentários finais. Ela disse que a violência doméstica é um tema delicado e que deve ser tratado com afinco. “Tratar a violência doméstica é tratar o espaço, porque ele revela as relações de intimidade e privacidade. Isso tanto para a violência física quanto sexual”, concluiu.